Identidade negra e silenciamentos escolares: entre diálogos acadêmicos e lutas sociais.
DOI:
https://doi.org/10.5281/z61b5490Palavras-chave:
Negritude, Educação básica, Identidade racialResumo
O presente trabalho apresenta os resultados de um projeto de identidade desenvolvido com turmas do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Presidente João Pessoa, localizada no município de João Pessoa, Paraíba. Intitulado “NEGRO? EU?”, o projeto teve como foco investigar como os/as estudantes reconhecem (ou silenciam) suas identidades raciais, problematizando a construção das noções de negritude nos espaços escolares a partir das intersecções entre as disciplinas de História e Geografia. A proposta partiu da inquietação sobre como a escola pública lida com as relações étnico-raciais e com a presença — muitas vezes invisibilizada — de alunos/as negros/as em seu cotidiano. A metodologia adotada foi qualitativa, com caráter participativo e investigativo. Foram realizadas rodas de conversa, análises de imagens, mapas afetivos, oficinas de leitura e produção de textos, além da aplicação de questionários e dinâmicas de autodeclaração racial. O projeto também utilizou trechos de livros, músicas e documentários que discutem a temática da negritude e o racismo estrutural. O principal recorte analítico foi a escuta ativa dos/as estudantes sobre suas percepções identitárias e os espaços — físicos, sociais e emocionais — que a negritude ocupa em suas trajetórias escolares e pessoais. Os resultados revelaram um profundo silenciamento em torno da identidade negra. Muitos/as estudantes demonstraram dificuldade em se reconhecer como pessoas negras, mesmo quando seus traços fenotípicos e histórias familiares apontavam para essa ancestralidade. O não-reconhecimento, em diversos casos, esteve associado à ausência de representatividade positiva na escola e à persistência de estigmas sociais e culturais que associam a negritude à inferioridade.