Saberes Guarani e o Conhecimento Oral em Contexto Escolar.
DOI:
https://doi.org/10.5281/dbt8et22Palavras-chave:
Necroeducacao, Guaranis, Paraná, Metodologias de Ensino, História IndígenaResumo
Este trabalho apresenta um relato etnográfico de uma visita à comunidade indígena Guarani Ocoy, com o propósito de analisar a interação entre a educação escolar formal e a preservação dos saberes tradicionais, com foco na oralidade. A pesquisa investiga como a escola atua no fortalecimento cultural, apesar de enfrentar desafios estruturais e a falta de apoio governamental. O estudo ressalta a relevância das narrativas orais como conhecimento legítimo e ferramenta pedagógica essencial para a comunidade. Baseado em observação participante e conversas com lideranças e o professor Gilmar, o trabalho analisa duas narrativas orais, "Jepotá" e "Urutau", como dispositivos pedagógicos que transmitem valores éticos, espirituais e sociais. As exclusões institucionais são discutidas à luz dos conceitos de necroeducação e necropedagogia, que criticam o racismo acadêmico e a invisibilização de sujeitos racializados. O estudo também incorpora aportes teóricos indígenas de autores como Ailton Krenak (2019; 2020), Daniel Munduruku (1998), Gersem Baniwa (2006), Eliane Potiguara (2004) e Graciela Chamorro (1999; 2015), que denunciam a exclusão e o silenciamento das narrativas indígenas no debate acadêmico. Conclui-se que as narrativas orais são cruciais para a epistemologia Guarani, funcionando como um "arquivo vivo" da existência coletiva, e que a educação indígena tran