Território negro feminino: protagonismo em Santo André
DOI:
https://doi.org/10.5281/kr1bcb68Palavras-chave:
movimento de mulheres negras, feminismo negro, resistência negra; política corporal; interseccionalidade; epistemologia descolonial.Resumo
A singular condição de opressão enfrentada pelas mulheres negras, resultante da interseção entre discriminações de raça, gênero, classe e sexualidade, motivou a criação de espaços de fortalecimento, no qual pudessem ser discutidas questões inerentes a essas mulheres, que foram e permanecem, muitas vezes, invisibilizadas historicamente em espaços políticos. Assim, esta pesquisa tem como objetivo discutir os pressupostos da cooperação social do “Coletivo Negra Sim – Movimento de Mulheres Negras de Santo André”, considerando o enfrentamento ao racismo e à desigualdade de gênero, bem como a sua organização política e sua influência como espaço de fortalecimento coletivo. O Coletivo tem atuado colaborativamente desde os anos 1990, estabelecendo parcerias com outras instituições do município e integrando importantes órgãos, como o COMUN (Coordenação Municipal de Entidades Negras), o CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras) e o Fórum Estadual das Mulheres Negras. Com base em entrevistas semiestruturadas ocorridas entre 2021 e 2024, análise documental e da obra "Mulheres Negras Sim" (2022), discutem-se as formas de organização interna, a atuação pública e os desafios enfrentados pelo Coletivo. O artigo propõe que a experiência do Negra Sim exemplifica como os movimentos sociais negros femininos contemporâneos são sustentados por laços afetivos, produzem memórias dissidentes e constroem práticas de resistência.