Memórias bordadas
Narrativas quilombolas e a resistência feminina em Alto Alegre.
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.17022489Palavras-chave:
Memória. Cultura Quilombola. Educação Antirracista. Feminismo Negro. Bordado.Resumo
Este artigo narra a trajetória do Coletivo Bordando Resistência, formado por mulheres negras quilombolas da comunidade de Alto Alegre, em Horizonte/CE. Criado em 2017, o coletivo nasce do olhar atento e sensível de uma educadora que, ao perceber a invisibilidade vivida por tantas mulheres do território, ajudou a costurar um espaço de escuta, pertencimento e reconstrução identitária. O bordado, aqui, não é apenas arte: é memória viva, é resistência que atravessa gerações. A cada ponto tecido, histórias são contadas, dores são ressignificadas, afetos são compartilhados. Com base em metodologias decoloniais e nas epistemologias do sul, o estudo se ancora em narrativas orais, observação participante e registros produzidos pelo próprio grupo. Inspirado nas reflexões de autoras como Sueli Carneiro, Bell Hooks, Conceição Evaristo, Nilma Lino Gomes, Paulo Freire e Nego Bispo, o artigo analisa como a prática do bordado se tornou gesto político-pedagógico de emancipação e ferramenta de educação antirracista. Ao participar de feiras, exposições, documentários e oficinas em espaços locais, nacionais e internacionais, o coletivo reafirma o lugar das mulheres quilombolas como produtoras de cultura e de saberes. Entre tecidos, linhas e memórias, elas seguem bordando futuros possíveis com firmeza, ternura e ancestralidade.