História de Ruanda, Necropolítica e a Negação de Identidade do Povo Indígena Batwa.
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.17010793Palavras-chave:
Ruanda, Genocídio, Povos indígenas africanos, BatwaResumo
O artigo analisa a etnização em Ruanda, cuja herança colonial segregou a população em tútsis, hutus e batwa, gerando o genocídio de 1994. Enquanto tútsis e hutus são lembrados, os batwa permanecem apagados, marginalizados nacional e internacionalmente até hoje. Metodologicamente, examina como a necropolítica persiste pós-colonização, tomando como referência Scholastique Mukasonga, escritora tútsi sobrevivente de 1994. Na obra Baratas, Mukasonga denuncia a necropolítica, usando a escrita para preservar memórias coletivas e resistir ao apagamento. O estudo conclui que a colonização não apenas impactou os batwa durante o genocídio, mas estruturou um processo contínuo de extermínio simbólico e material, negando-lhes reconhecimento e direitos territoriais no presente e no passado. A invisibilidade dos batwa revela como o projeto colonial se mantém vivo, exigindo descolonização radical, confrontar mitologias étnicas e reparar as vítimas, incluindo os grupos sistematicamente silenciados.