Cortes da Navalha, sementes da Kalunga: por uma transcestralidade nos terreiros 

Autores

  • Maria Luiza Mendonça de Melo e Paiva Autor/in

DOI:

https://doi.org/10.5281/wc01kb68

Palavras-chave:

Transgeneridade, Religiões de matriz africana, Saberes de terreiro, Decolonialidade

Resumo

Com e apesar de todas as contradições que os chamados sincretismos carregam para as tradições de terreiro, é indiscutível que elas não se reduzem à instituição de uma nova organização religiosa em contextos coloniais, mas, ao contrário, nascem de rearticulações de saberes, práticas e laços sociais rompidos pelo tráfico escravista. Calundus e cabulas há alguns séculos, candomblés, umbandas e omolocôs hoje, mais do que religiões institucionalizadas, são linhagens de cura e reconstruções de uma ancestralidade rompida e corrompida pelo carrego colonial. Embora violências e transfobias também ocorram nesses espaços, não é à toa que foi nas casas de axé que aquelus que vieram antes de nós encontraram cuidado, comunidade e família e se tornaram ancestrais para nós, quando nossas linhagens de sangue tantas vezes não nos querem e até nos matam. Que potência é essa das tradições de terreiro, de se fazerem e refazerem frente às violências da colonização e do Estado? E que referências e cuidados nos ensinam quando nós trans entramos na porta de um terreiro? Há muito o que se pensar para a construção de uma transcestralidade de axé, mas, no fundo, o que espero poder trazer para a roda é a força que um abraço de Navalha traz para uma travesti, para esta travesti.

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Publicado

2026-02-01