“O famoso ‘Julinho Romão’, ‘mestre em bagunçar’”: uma análise sobre as narrativas da capoeira de Júlio Romão em Belém-PA (1990-1993)

Autores

  • Andreza Rayanne Alves Santos Autor/in
  • Carlos Daniel Matos Nascimento Autor/in

DOI:

https://doi.org/10.5281/shafgk48

Palavras-chave:

Capoeira, Afrodescendente, Divergência de Narrativas.

Resumo

O estudo se insere no contexto das últimas décadas do século XX, quando a capoeira em Belém-PA transitava entre marginalização social e valorização cultural. As narrativas sobre Mestre Júlio Romão, registradas em jornais locais, revelam tensões: ora ele é apresentado como desordeiro, ora como guardião de uma prática ancestral ligada à identidade afro-brasileira. Assim, o objeto de pesquisa são as divergências nas representações da capoeira de Romão na cidade, evidenciando-o como uma figura controversa. Para Baccino (2013), Belém participa do processo de revalorização da capoeira como elemento da ancestralidade africana, refletindo suas múltiplas facetas e funções sociais. A ambiguidade das representações jornalísticas levanta a questão: por que a mesma figura é retratada de modos tão opostos? Assim, o objetivo da pesquisa é compreender as narrativas divergentes, analisando os periódicos e as transformações sociais, filosóficas e culturais da capoeira no período estudado, considerando o contexto urbano e a trajetória individual do Mestre. Conclui-se que o contexto histórico e social reforça a especificidade e individualidade de cada Mestre, evidenciando as múltiplas atuações da capoeira. Em paralelo à retomada da prática como expressão da identidade nacional, observa-se um cenário de tensão perceptível nos jornais. Destaca-se, ainda, o impacto de uma nova estruturação da capoeira no período analisado, que possibilitou diferentes interpretações de seus elementos, refletidas na cobertura jornalística e no crescimento do esporte no Estado.

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Publicado

2026-02-10