A palavra que resiste: tradições orais e a preservação da memória quilombola no Tocantins.
DOI:
https://doi.org/10.5281/eb0wrh77Palavras-chave:
Identidade, Resistência, Quilombos, Memória, OralidadeResumo
Este trabalho analisa a centralidade da oralidade na preservação da memória quilombola, compreendendo-a como uma ferramenta de resistência cultural, histórica e política. A ausência de registros oficiais sobre a vida e as lutas das comunidades negras fez com que a palavra falada assumisse o papel de guardiã das histórias e dos saberes ancestrais. Narrativas transmitidas entre gerações, cantos, rezas e celebrações populares se consolidaram como arquivos vivos que mantêm a identidade coletiva e fortalecem os vínculos comunitários. No contexto dos quilombos contemporâneos, a oralidade não apenas resgata o passado, mas também fundamenta o presente e projeta o futuro, articulando tradições culturais à luta pelo reconhecimento territorial. Em disputas por terra e cidadania, os testemunhos orais têm se mostrado essenciais para legitimar a memória de ocupação e o direito à permanência nos territórios. A palavra, neste sentido, resiste ao apagamento histórico, reafirma identidades e questiona as narrativas hegemônicas, evidenciando que a história não se limita aos documentos escritos, mas se constrói também na força da ancestralidade transmitida pela voz.