Hibridismos musicais e antropofagia cultural na formação da música brasileira.
DOI:
https://doi.org/10.5281/aawztm23Palavras-chave:
Música brasileira, Antropofagia cultural, Hibridismo musical, Culturas híbridasResumo
Este texto tem o objetivo de demonstrar como, historicamente, as raízes da música brasileira, desde o período colonial, têm como base fundante o hibridismo e a antropofagia em sua construção. A partir da fusão das influências musicais dos povos indígenas, concomitante a ressignificação e adaptação das culturas afrodiaspóricas e ibéricas, deu-se possibilidade à formação de gêneros musicais e de identidades culturais novas e diversas, que representaram ao longo do tempo diferentes facetas da “brasilidade”. Desse modo, as tradições e legados culturais da música dita “folclórica” e posteriormente “popular” no Brasil, desde a chegada do colonizador português, se deu como formas de resistência política e afirmação de identidade, ao passo que as massas populares e estamentos sociais subalternas souberam antropofagicamente ressignificar as influências culturais e artísticas europeias coloniais e, resguardar o tanto quanto puderam, suas raízes indígenas e afrodiaspóricas, fato percebido nos primeiros gêneros musicais brasileiros, como o cateretê, a modinha e o lundu, etc. Esses processos de ressignificação e transformação constante provenientes de hibridismos musicais e antropofagia cultural, tornaram rica e diversa a cultura musical brasileira, que se preserva, modifica e inova constantemente, até os dias atuais.